sábado, 26 de maio de 2012

VAZIO




Uma, duas, três, quatro, cinco.

São as alternativas que uso para tentar transformar este vazio em espaço.

Não consigo de maneira alguma respirar direito, nem sei o que é o ar.

Se meu coração fosse de tijolos taparia com cimento.

Se meu coração fosse de arreia taparia com plantas e flores.

Se meu coração fosse de barro colocaria água límpida.

Se meu coração fosse de madeira colocaria qualquer coisa.

Se meu coração não existisse, não colocaria nada, não sentiria nada, não procuraria nada, não escreveria nada.

Se estou parando de escrever, não é por que perdi meu coração, mas, é por que me faltam as palavras – queria perde-lo só por alguns instantes.
 




sábado, 14 de abril de 2012

Simples fato



Não compreendo os meus caminhos.
Não compreendo a minha voz.
Só compreendo esses espinhos.
Que machucam de modo atroz.

Não compreendo as minhas escolhas.
Não compreendo estes meus olhos.
Só compreendo esta bolha.
De rancor e tristeza, de meus refolhos.

Não compreendo meus membros.
Não compreendo o tempo.
Não compreendo o mundo.
Não compreendo minha compreensão.

Não compreendo meu coração.
Que ousa pulsar.
Não compreendo o meu repulsar.
Não sei se estou me perdendo.

Não me compreendo.

Poeta sem rima, sem palavra alguma




Chamei o Russo e ele me fez chorar
Não era cocaína, era tristeza.
Chamei o Veloso ele me fez cantar
Pois filosofar só no alemão.
Chamei o Zuza e ele me fez meditar
Minha piscina não estava limpa.
Chamei o Ramalho ele me fez recordar
Que eu precisava regar as violetas.
Chamei a Ramalho e me fez pensar
Não estou aconchegado.
Chamei a Calcanhoto e me pediu para entrar
Mas, não consegui mudar a sua vida.
Chamei a Toller e ela me fez rezar
Jogue minhas mãos para o céu.
Chamei o Gonzaguinha ele me fez notar
Devo mudar desse comportamento geral.
Chamei o Seixas ele fez me aceitar
Metamorfose ambulante.
Poetas fiquei a chamar.
Poetas fiquei a chamar.
Chamei ao Pai
E  não falara nada.
...
Faltou-me um ar.



sábado, 10 de dezembro de 2011

Golpe grosseiro e glacial


Fluxo, fixo, fechado.
Amarado numa flecha
Quiseras me acertar.
Golpe grosseiro e glacial 


O que não sabias
É que há tempos deixara escapar do molde de tua haste
Uma pequena estaca que  feriu-me a mão
Lá o veneno era inofensivo no coração tornou-se invulnerável   




Rendi-me a canção
E nos versos vagos e vagarosos
Na poesia falaciada
A fim de mostrar-me tranquilo


Projetei as lembranças de sonhos que nunca tivera
Recordei da ultima manhã paciente
Desejei aquilo que pra mim era ausente
Descontente, descontei meus descansos convertendo em descasos

 



Voltei pra beber o fluido venenoso
Consciente das dores imortais e de minha vitalidade
Fiz dele vianda eterna
E nesta vigília sem sono permanecerei até o fim.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Escol no desejo


Senta-se a minha direita
E deixa-me sentir tua presença
Senta-se defronte mim
E deixe-me que padeça

Olhe nos meus olhos
Depois de alguns minutos
Depois de outros minutos
Retribuirei

Te devorarei com meus olhos
Cada milésimo de milésimo de segundo
Se permitais que eu vá mais longe ou perto,
Morrerei antes que a pupila se adapte

A prova que me prova
Já não pertence a mim
Pertence a ninguém
Já nem preciso

Nem sou mais eu
O eu menos do que nunca
Sou a potencia de mim
Sou preposição conjugada




Sou parede silenciosa
Úmida ou fúnebre
Sou matuto do amor
E escol no desejo.


CONCUPISCÊNCIA


Sábios são os teus membros
Que conseguem hipnotizar os meus 
E arrancar-me o sossego do espírito. 
Tua voz me impulsiona a libertar-me das dores e segredos.  
Estou segregado as tuas seduções
  E temo que isto seja apenas felicidade,
  Pois sei plenamente que ela é passageira.

 Queria uma palavra que ainda não existe
  Para chegar à verossimilhança
  De meu verdadeiro sentimento.
  Sem ressentimento provoquei meus leões.
  Agora entrego-me as turbulências de minha escolha.
  Quero escoimar-me até o caroço
  À modelagem que te contente. 

 Enquanto aos leões, 
Tangê-los-ei com toda calma. 
E minh´alma ressequir-se-á ás tuas brasas.  
Quero quarar na cor preta.  
Quero um quasar da lua minguante.  
Quero derramar-me como que cachoeira.  
Quero sujar-me da água mais pura.

domingo, 6 de novembro de 2011

LIÇÃO


POR MAIS QUE NÃO SEJA ENTENDÍVEL,
OU QUEM SABE, ESPANTOSO,
NÃO SE É QUEM SE FORA.

O CORDÃO UMBILICAL SE ROMPEU
AGORA SE CONHECE O ERRADO
E SE SABE OMITIR TAMBÉM O CERTO

NÃO SE QUER MAIS RESOLVER O PROBLEMA DO MUNDO, DO VIZINHO, TALVEZ OS PRÓPRIOS.

CIÊNCIA
RAZÃO
VERDADES

MITOS
CULTURA
DESCULPAS

DEUS NÃO É  QUE SE PENSA
A MORTE NÃO É O QUE SE ACREDITA
A VIDA É O QUE SE VÊ.